Lua em Touro quadra Mercúrio em Aquário
Caro Hermes, como vai?
Espero que seu dia esteja agradável, visto que não posso dizer o mesmo do meu, que começou daquele jeito. Imagine que eu estava passeando, distraída, tranquila, pelas terras da minha exaltação, sentindo-me segura, portanto, e, não sei como, tropecei e caí rolando em direção ao rio que corria paralelo à estrada. Só consegui pensar que não estava pronta para um banho gelado logo pela manhã. Porém,o estrago foi pior do que pensei: ao cair no rio, me deparei com a bocarra de Cetus vindo em minha direção. Fui engolida, claro, e foi muito difícil me desvencilhar do monstro.
Quando o dia começa assim, a gente já sabe que era melhor nem ter saído de casa. Pois era o meu caso, porque a história piora, e muito: meu dia começou com Menkar, a boca da baleia, e vai terminar sabe como? Com Algol, a cabeça da Medusa. Isso significa que, no fim dessa história e desse dia, eu perco a cabeça.
Agora, pergunto: que tipo de exaltação bizarra é essa, em que a pessoa que cumpre um itinerário mensal, deve encarar esses monstros todas as vezes?
Não se preocupe em responder, a pergunta é retórica. Sei bem que você nem liga. Está em posição heliacal, não é mesmo? Se sentindo todo importante por puxar a carruagem do Rei, por estar numa posição privilegiada, dando as ordens do dia. Vai deixar Faetonte com ciúmes, só digo isso.
No entanto, não é para contar sobre as minhas desventuras que escrevo, mas, sim, para avisar que, muito a contragosto, nos encontraremos mais tarde. Em vista disso, gostaria de sugerir, respeitosamente, que o amigo não se ponha no meu caminho. Estou um pouco irritada de ter que dar conta de dois monstros no mesmo dia e não me custa dar conta de três.
Atenciosamente,
Lua