O horário do nascimento e seus segredos astrológicos

Hoje, na minha cidade, o Sol nasceu às seis horas e dois minutos. Esse dado simples indica que o início do dia astrológico se deu às 06h02 e terminará apenas quando o Sol nascer novamente amanhã. O dia astrológico difere do dia do relógio porque é o Sol quem divide o tempo entre dia e noite, quem dita as regras, quem determina o início e o fim de cada ciclo. Se é ele quem marca o começo e o encerramento, é natural concluir que o dia só pode existir de fato quando o Sol desponta no horizonte leste.

O horizonte leste, por ser o local onde o Sol nasce, é chamado de Ascendente. Todos os signos e planetas que cruzam essa linha estão ascendendo, isto é, nascendo. O Ascendente está ligado ao movimento de rotação da Terra e, portanto, é percorrido por todo o zodíaco em um intervalo de 24 horas. Em uma conta básica, a cada duas horas, em média, um novo signo desponta no horizonte. Por isso é tão importante saber o horário exato de nascimento de uma pessoa: para identificar qual signo estava ascendendo, se havia algum planeta nesse ponto e, por conseguinte, quem nasceu junto com ela no horizonte.
Mas por que isso é importante? Porque aquilo que nasce junto com você fala de você. O signo solar é, sem dúvida, fundamental, mas quem descreve o momento exato do nascimento é o Ascendente.

Tomemos como exemplo o céu de hoje ao nascer do Sol. O Sol está em Virgem, logo, quando ele cruzou o horizonte, o signo que ascendia também era Virgem. O que Virgem nos diz sobre o Sol? O Sol é o marcador das estações do ano, e Virgem, signo mutável, assinala o fim do verão. É o signo que antecede Libra, signo cardinal. Os mutáveis indicam transição de uma estação para outra, enquanto os cardinais marcam o início. Nesse caso, Libra anuncia o começo do outono no hemisfério norte e da primavera no hemisfério sul. Como a astrologia se estruturou a partir da observação no hemisfério norte, o simbolismo é mantido na interpretação. Assim, consideramos Libra como o signo que inaugura o outono.

Essas observações são importantes porque cada uma delas é um fio narrativo na trama do tempo e do destino. Um Ascendente mutável, por exemplo, traz a marca de não se apegar à ordem estabelecida. Ele sabe que tudo é passageiro, que a mudança é uma regra. O Ascendente em Virgem promete o fim da abundância, por isso é um signo associado à organização, pois ele prevê dias difíceis e é preciso traçar estratégias de sobrevivência, sobretudo no que diz respeito à preservação dos alimentos, como os grãos.

Voltando ao dia de hoje, vemos que Saturno, o grande maléfico, está no grau 28 de Peixes, signo oposto a Virgem, muito próximo do grau 23 do Sol. Isso significa que Saturno se encontra em frente ao Sol. Essa oposição terá seu ápice no dia 21, pouco antes do eclipse solar. O movimento do Sol em direção à oposição com Saturno nos revela outro dado interessante: assim que o Sol se levanta, Saturno se põe. E quando o Sol se põe, Saturno se levanta. Saturno tem sido, já há alguns dias, o primeiro planeta a nascer logo após a morte do Sol. É ele quem tem puxado o fio dos dias seguintes. Não por acaso, temos vivido jornadas densas, pesadas, tristonhas, muitas vezes chorosas. Saturno em Peixes arrasta o tempo para dentro das águas profundas, em terreno incerto e lodoso, onde as estruturas não encontram firmeza para se fixarem.

Essa condição, porém, não é definitiva. Após o dia 21, o Sol ultrapassa o grau de Saturno e começa a se afastar da oposição. Saturno deixa de estar à frente do Sol e passa a caminhar atrás dele. Os dias passam a ter outro condutor, dessa vez um benéfico, o maior dos benéficos: Júpiter, que se encontra em Câncer, signo da sua exaltação. Com o grande benéfico exaltado, teremos uma atmosfera mais temperada, suave, fértil e em expansão. Dias melhores virão.

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